Coragem eu tenho um monte. Mas medo eu tenho poucos. Tenho medo de filme de terror, tenho medo das pessoas, tenho medo de mim. Minha bagunça mora aqui dentro, pensamentos entram e saem, nunca sei aonde fui parar. Mas uma coisa eu digo: eu não páro. Perco o rumo, ralo o joelho, bato de frente com a cara na porta: sei aonde quero chegar, mesmo sem saber como. E vou. Sempre me pergunto quanto falta, se está perto, com que letra começa, se vai ter fim, se vai dar certo. Sempre pergunto se você está feliz, se eu estou linda, se eu vou ganhar estrelinha, se eu posso levar pra casa, se eu posso te levar pra mim, se você vai ficar ali pra sempre. Eu sou assim. Nada de meias-palavras. Já mudei, já aprendi, já fiquei de castigo, já levei ocorrência, já preguei chiclete debaixo da carteira da sala de aula, mas palavra é igual oração:
tem que ser inteira senão perde a força. Sou menina levada, princesa de rua, sou uma criança com preocupações e objetivos. E mesmo pequena, não deixo de crescer. Me decepciono igual gente grande, fico séria, traço metas. Mas quando chega a hora do recreio, aí vou eu... Pulo, grito, faço bico, faço manha, tomo sorvete no pote, choro quando dói, choro quando não dói.
E eu amo. Amo igual criança. amo igual adultos, amo com todas as letras. A-M-O. Amo e vivo esse amor, Com
quem me faz mais feliz. Sem restrições. Sem medo. Sem frases cortadas. Sem censura. Sem pudor. Quer me entender? Não precisa. Quer me ver feliz? Me dê um chocolate, um bilhete, um brinde que você ganhou e não gostou, uma mentira bonita pra me fazer sonhar. Não importa.
Criança não liga pra preço, não liga pra laço de fita e cartão de relevo. Criança gosta de beijo, abraço e surpresa!
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